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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Jornalistas de Cuiabá denunciam colega por importunação sexual

Repórter abordava mulheres pelo aplicativo, com número de telefone de outros estados

Pelo menos dez mulheres procuraram a Polícia Civil em Cuiabá para denunciar o jornalista Leonardo Heitor Martins Araújo, 38 anos, pela acusação de importunação sexual e perturbação do sossego.

Os boletins de ocorrência foram registrados na tarde de terça-feira (1).

Conforme apurou a reportagem, o jornalista abordava as mulheres – a maioria delas também jornalistas – pelo aplicativo WhatsApp com número de DDD de outros estados, com nome e fotos de outra pessoa.

Durante a conversa, mandava diversas fotos de pênis, além de mensagens de cunho erótico (veja trecho de uma das conversas abaixo).

Segundo as vítimas, ele alegava que conseguia o número pelo “Tinder” (rede social de relacionamento), quando na verdade algumas mulheres alegam nem fazer parte do aplicativo.

As vítimas alegam que chegaram a bloquear o número do “fake”. No entanto, o jornalista retornava com outro número e voltava a perturbá-las.

A Polícia Civil confirmou a informação sobre as acusações, mas não deu mais detalhes.

“A Polícia Civil confirma que algumas vítimas procuraram a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em Cuiabá para denunciar um profissional de área de comunicação sobre importunação sexual e perturbação do sossego. As investigações serão iniciadas pela equipe da DEDM Cuiabá. Outras informações não serão passadas para preservar a identidade das vítimas”, consta em nota divulgada pela Polícia de Cuiabá.

Indiciado no Espírito Santo

 

Em julho deste ano, o jornalista foi indiciado em Vitória (ES), onde chegou a morar, por utilizar do mesmo “modus operandi” para importunar ao menos 10 mulheres.

Lá, as investigações contra o jornalista estão mais avançadas. Ele já foi indiciado pelo artigo 65 da Lei das Contravenções Penais.

O artigo se refere a molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou motivo reprovável. A pena prevista é de prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa.

O modo de agir detectado pela Polícia Civil de Vitória é o mesmo de Cuiabá. Ele se passava por profissional bem sucedido, moreno e com o corpo musculoso. Assim assediava as mulheres, enviando fotos do pênis e mensagens eróticas.

Uma das vítimas do Espírito Santo, uma mulher de 29 anos, contou que passou a receber as mensagens por WhatsApp em meados de 2017.

“Ele puxou assunto, com chip de São Paulo e me chamando pelo nome. Ele disse que nos conhecemos em um aplicativo de relacionamento. Percebi que tinha algo estanho porque não tenho esse tipo de aplicativo. Minha intuição dizia que aquele perfil era falso. Mas queria descobrir quem era a pessoa que me chamava pelo nome. Fiz algumas perguntas, mas as respostas eram rasas”, afirmou em entrevista ao site Gazeta Online, de Vitória.

 

“Até que, sem qualquer explicação, ele enviou vídeos e fotos pornográficas. Quanto mais eu o xingava, mais ele enviava”.

A mulher conta que bloqueou o número, mas mesmo assim voltou a ser importunada um ano depois. Segundo a Polícia Civil capixaba, era o mesmo jornalista que passou a usar um chip de Brasília.

 

Nesta quarta-feira (2), o jornalista encaminhou mensagem para algumas das jornalistas que foram importunadas.

 

Outro lado: “Errei em ser inconveniente”

 

“Errei diversas vezes… Errei em ser incoveniente, em abordar quem não queria ser abordada e com conversas que não deveriam ter sido sequer iniciadas…

Errei também em não me colocar no lugar das pessoas que incomodei… Errei por não imaginar que aquilo não as agradava, tornando-me apenas um incoveniente…

Errei ao expôr a mulher que eu amo e por não ter dado a ela o valor que ela merece… Errei porque não fazia o menor sentido eu ter esse tipo de conversas tendo uma mulher maravilhosa como a que ela é: linda, inteligente, hiper profissional e o principal… Ela gostava de mim…

Sou cheio de defeitos… Sempre fui… Mas nada que eu tenha vivido em meu passado justifica as abordagens que eu fiz, na minha mente, sem maldade, mas que para muitas tornou-se uma forma de assédio…

Não estou aqui para me isentar de culpa… Estou aqui para pedir perdão às pessoas que magoei… Estou aqui para me desculpar com todos que prejudiquei…

Peço perdão a todas, principalmente a mulher que eu amo… Perdão aos meus amigos que frustrei, aos colegas de trabalho, que decepcionei, e além de tudo, as mulheres que entenderam que as assediei…

Nem tudo que foi falado sobre mim condiz com a realidade dos fatos, mas quanto a isso, responderei judicialmente… Mas não cabe a mim fazer juízo neste momento… Cabe a mim, agora, continuar o tratamento que iniciei e recomeçar…

Perdi tudo… Perdi amigos e amigas, a mulher que amo, minha dignidade, meu nome, enquanto profissional, meu emprego e até mesmo minha casa…

O que me resta é pedir perdão a todas essas pessoas…

Eu errei…”

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