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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Selma Arruda chora ao falar de cassação: “Justiça ainda é falha”

Senadora teve o mandato cassado pelo TRE em abril; decisão foi mantida pelo TSE no último dia 10

Acostumada a assinar decisões judiciais contra políticos, a senadora cassada Selma Arruda ainda não engoliu o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral na terça-feira (10).

“A Justiça ainda é falha. Meu caso não era qualquer um, era de uma senadora da República. O processo andou na velocidade da luz. O critério era fazer a coisa mais rápido”, disparou, em entrevista à coluna.

Eleita com o apelido de “Moro de saias” pelo PSL, Arruda chorou ao se lembrar de quando contou aos filhos que fora cassada e avisou que seguirá despachando de Brasília: “Eles não ganharam a guerra. Só a batalha”.

 

Leia a entrevista:

 

Época – O que a senhora sentiu ao ser cassada?

 

Selma Arruda – Eu acompanhei aqueles votos absurdos de casa. Recebi o resultado do julgamento com respeito, mas com indignação. Ficou muito nítido que o voto do relator (ministro Og Fernandes) tinha muitos equívocos e induziu os outros. O ministro Fachin foi o único que efetivamente analisou o processo. Pela índole do Fachin, que não é garantista nem absolve à toa, me senti com a alma lavada.

 

Época – A senhora foi injustiçada?

 

Selma Arruda – Absolutamente injustiçada. Eu, que trabalhei com a Justiça tanto tempo, fico ainda mais decepcionada em saber quanto a Justiça ainda é falha. Não analisa as provas, não se preocupa em cuidar dos casos. E meu caso não era qualquer um. Era o caso de uma senadora da República. Poderia ter sido analisado com mais parcimônia. Mas esse processo andou na velocidade da luz. Me parece que a análise ali não era o critério. O critério era fazer a coisa mais rápido.

 

Época – Por que a senhora diz isso?

 

Selma Arruda – Não me conformo com a celeridade desse processo. O parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) veio em sete horas, um absurdo. O caso foi julgado em quatro meses no estado. É um recorde. Não quero postergar, não, mas acho que as pessoas deveriam ter mais critério. Analisar provas. Uma coisa feita com muita pressa nunca vai ser perfeita.

 

Época – A senhora foi ajudada por Sergio Moro e Alvaro Dias.

 

Selma Arruda – O ministro Moro eu não sei se ajudou. Alvaro Dias com certeza foi um grande batalhador nessa história. Ele até pediu para seus advogados analisarem o processo e ouviu deles que a causa era justa. Por isso ele abraçou a causa com tanto amor.

 

Época – Jair Bolsonaro, que a senhora tanto exaltou na campanha, falou algo?

 

Selma Arruda – Não. Ele foi absolutamente omisso.

 

Época – Flávio Bolsonaro havia prometido apoio quando vocês eram colegas de PSL no Senado. Isso aconteceu?

 

Selma Arruda – Flávio com certeza não ajudou.

 

Época – Valeu a pena deixar a magistratura e ser cassada um ano depois?

 

Selma Arruda – Tudo vale a pena. Não teria me perdoado se não tivesse tentado, eu não morreria em paz. Falei para meus filhos: (silêncio) “Vocês não precisam se envergonhar da sua mãe. A sua mãe não fez nada” (choro). E eles confiam.

 

Época – A senhora imaginava que seria destituída do cargo?

 

Selma Arruda – Era esperado, mas não sabia que seria tão perseguida de um jeito tão açodado. Brasília é muito suscetível a influências políticas. Não tenho vergonha de ter sido cassada. Já superei essa questão. O jogo é bruto. Comigo, sempre foi. Eu sempre metia a mão nessa coisa e sabia dos bastidores. Os processos mostram as tripas do poder.

 

Época – O que a senhora fará agora?

 

Selma Arruda – Estou inelegível por oito anos. Não me vejo mais na política, pelo menos não na linha de frente. Quero continuar trabalhando para o Podemos e ajudando os senadores do grupo Muda Senado. Vou continuar nos bastidores. Eles não ganharam a guerra. Só a batalha.

 

Época – A senhora seguirá despachando de Brasília?

 

Selma Arruda – Sim. Minha meta é fortalecer o partido. O Alvaro Dias tem tudo para ser o presidente do Brasil. O Brasil vai acordar e perceber que nenhum dos dois extremos é bom. Nem direita, nem esquerda. E o Podemos pode surgir nesse cenário de caos como um partido ponderado. Não consegui conviver com a extrema-direita.

 

Época – O melhor e o pior momento em um ano como senadora?

 

Selma Arruda – O melhor momento foi no começo, quando em uma bela manhã o senador Oriovisto (Guimarães) resolveu convidar alguns colegas para um café da manhã. Ninguém entendeu nada. Eram 12 convidados. O (Eduardo) Girão até falou que era o número de apóstolos de Cristo. Ali, desabafamos nossas angústias com o que vivíamos no Senado. E decidimos criar o grupo Muda Senado. Foi uma esperança. O pior momento foi o da cassação.

 

Época – A senhora diz que foi retaliada pela atuação como magistrada, que mandou prender um ex-governador. Procuradores e juízes também podem ser prejudicados se entrarem na política?

 

Selma Arruda – Sim. Foi um recado. Quem bate de frente contra a corrupção não é bem-vindo na política. Mas mesmo assim acho que tem de enfiar o pé na porta. Quanto mais você espera, mais o outro lado se une.

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