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sexta-feira, 5 de março de 2021

PF investiga Selma Arruda por omitir de R$ 1,5 milhão de suplente

A ex-senadora Selma Rosane Arruda (Podemos) é investigada por um novo crime eleitoral, que até então não tinha sido analisada em seu processo de cassação, finalizado em dezembro do ano passado. Desta vez, Selma é investigada pela Polícia Federal (PF) por omitir a doação de R$ 1,5 milhão feita pelo seu primeiro suplente, o produtor rural Gilberto Possamai.

A denúncia sobre o suposto novo crime eleitoral teria sido feita pelo terceiro colocado nas eleições ao Senado em 2018, Carlos Fávaro (PSD), que assumiu recentemente a vaga da ex-senadora. Segundo Fávaro, a omissão das doações configurou crime eleitoral com pena de até 5 anos de prisão.

A versão oficial dá conta de que Possamai teria emprestado R$ 1,5 milhão à Selma para que ela utilizasse recursos próprios. A defesa de Selma e do suplente anexaram, no processo de cassação, um contrato celebrado para oficializar o empréstimo.

O problema é que, em pelo menos duas ocasiões, Possamai foi à imprensa afirmar que o contrato teria sido forjado por “imposição” dos advogados da então senadora. “[A cassação] foi por causa dos advogados de merreca lá, que disseram que tinha que dizer que o dinheiro foi emprestado. Porcaria, pode pegar e falar que o dinheiro foi de outra forma, pô, o dinheiro é meu”, afirmou o empresário em abril de 2019.

Em seguida, no dia 23 de abril de 2019, a própria Selma disse durante pronunciamento no Senado que o valor utilizado pertencia ao suplente e que seria uma forma de doação e não empréstimo. “Então, eu acabei sendo acusada, sr. presidente, de abuso de poder econômico, mesmo gastando dinheiro exclusivo do meu primeiro suplente, ou seja, autofinanciamento de campanha”, afirmou.

Em nova entrevista, em maio do ano passado, Selma alegou que Possamai financiou sua campanha ou a maior parte dela pensando em ocupar o cargo em um período em que ela se licenciasse do Senado e ele assumisse. “Não é um em empréstimo o que e eu tenha que pagá-lo, mas um empréstimo que dei a garantia a ele de que eu iria cumprir” disse.

Esta frase, segundo os advogados de Fávaro, evidencia crime eleitoral na tentativa de omitir a doação do suplente. E, além disso, mostra que Selma teria “vendido” a vaga de suplente para Possamai.

Em março deste ano, a PF deu continuidade as investigações abertas e pediu, além da origem da doação, autorização para verificar despesas pagas com o recurso doado pelo suplente. A PF também pretende apurar outras despesas realizadas com o dinheiro “que eventualmente não tenham sido declaradas”, diz trecho do ofício encaminhado à Justiça Eleitoral.

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