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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Um passeio inesquecível em tempos inesquecíveis

UM PASSEIO INESQUECÍVEL EM TEMPOS INESQUECÍVEIS

Hoje, passados mais de 90 dias de afastamento social, de férias, saí para um passeio.
Na verdade, meu pai, Sr. Morais – “Bernardo I”, um senhor de 84 anos, foi quem me convidou para esse pequeno passeio. Ele está muito estressado, e não é pra menos, pois em pouco menos de 90 dias perdeu dois irmãos. A primeira, tia Nita, morreu de câncer; e o segundo, há uma semana, de covid.
Realmente, ele precisava disso, mas no decorrer do passeio percebi que eu também.
Ontem à noite, programei um passeio que não precisássemos sair do carro e, depois de muito pensar, decidi levá-lo para passear em Sto Antonio do Leverger.
Peguei-o às 9h e partimos pra nossa jornada. O início da conversa, como imaginei, foi sobre o meu tio Paco, falecido há sete dias.
Falamos sobre a pandemia, e logo o assunto mudou. Meu pai começou a relembrar da vida de seu irmão.
Meu tio, segundo meu pai, foi um homem muito inteligente e bondoso. Teve uma vida normal até entrar no curso de Direito da USP, em pleno período de opressão da ditadura. Nesse período, meu pai disse que meu tio começou a apresentar sintomas de esquizofrenia.
– Filho, ele trabalhava demais, estudava muito e ainda desempenhava atividades políticas. Acho que – continuou meu pai – essa vida tão intensa levou um pouco de sua saúde mental.
Enquanto escutava meu pai, percebi o quanto sabemos pouco de parentes tão próximos e de nossa história. Como deve ter sido rica de experiências a vida desse meu tio, apesar da limitação imposta por sua doença.
Lembrei que meu tio, falecido em Jundiaí-SP, com certeza tinha sido sepultado sem as devidas exéquias, com uma mera cruz numerada. Uma vida importante para tantas pessoas, amor de muitos, reduzido a um número estatístico.
Um homem admirado e amado que a família não deve o direito à despedida.
A morte nesse período é mais trágica que o normal, pois é solitária.
O passeio continuou e chegamos no pé do morro de Sto Antonio. Quando lá chegamos já estávamos conversando sobre a guerra do Paraguai. Não disse ainda, mas meu pai é paraguaio, um verdadeiro comedor de chipa.
Sua família veio para o Brasil fugindo da revolução paraguaia de 1946.
Estar perto do morro de Sto Antonio, lugar onde os cuiabanos fizeram a tão famosa fogueira que iria ser acesa quando as tropas paraguaias fossem avistadas, fez com que ele relembrasse de sua própria história.
Vale destacar também meu pai é um grande contador de história. Um daqueles à moda antiga, que preza o bom enredo acima da fidelidade histórica.
Começou ele a contar de suas andanças pelo Brasil, de seus amores e de sua vida no seminário.
Não vou ser indiscreto aqui e sobre seus amores não falarei nada, mas sobre sua vida no seminário posso. Meu amado pai quase foi padre. Foi seminarista em Aparecida do Norte. Na verdade foram seminaristas ele e seus dois irmãos (tio Paco e tio Germano), os dois já falecidos. Tio Germano foi com quem tive mais contato, um grande sujeito e outro grande contator de história, um tio que amei muito e de quem tenho saudades.
Meu pai, ao que parece, deixou o seminário porque se decepcionou com a igreja, mas apesar disso, sempre fala com carinho da época que lá estudou.
No carro, lembrou que o irmão Paulo (acho que é esse o nome do padre, não tenho certeza) fazia creme de abacate e sanduíche de pão com banana para os seminaristas. Ao que parece era uma verdadeira iguaria. Se bem que todo jovem vive com fome, e pra jovens pão tem sabor de caviar.
Chegamos na beira do rio Cuiabá em Sto Antonio. O rio está raso, mas a beleza se impôs.
Ficamos lá, eu e meu pai, olhando e admirando aquele lindo lugar. Os dois em silêncio. Os pássaros em sinfonia.
Não conversamos muito naquele momento de contemplação, não era preciso.
Meu pai pediu pra voltarmos. Na volta retomamos algumas conversas. Meu pai, penso eu, não tinha esquecido do creme de abacate.
– Filho, vamos passar no marcado, pois quero comprar banana e abacate.
Passei no mercado.
Deixei o em casa.
Foi um belo dia…

Bernardo Morais Filho
Advogado
Gestor Governamental do Sistema Penitenciário de MT

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