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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Imagens mostram advogado dando chute em médica e contradiz alegação da defesa sobre suposta extorsão

Um vídeo divulgado nesta terça-feira (8), mostra o advogado Cleverson Campos Contó, de 33 anos, agredindo com um chute uma das vítimas, a médica Laryssa Moraes, no elevador do prédio onde moravam, em junho de 2016.

Contó é acusado de uma série de agressões físicas e psicológicas à mulheres, em denúncias feitas por pelo menos 10 vítimas. O vídeo foi obtido com exclusividade pelo site MidiaNews.

Mesmo depois de várias denúncias e, com os números de vítimas aumentando, a defesa de Cleverson, o advogado Eduardo Mahon apontou que as denunciantes estariam se articulando para tirar dinheiro do seu cliente. E que elas estariam tentando ‘driblar decisões judiciais que proíbem ex-relacionamentos de fazerem qualquer menção ao nome dele’.  No entanto, as imagens provam ao contrário. Mahon assumiu nesta terça-feira (8), por meio de nota, a defesa de Contó.

“Comunico que assumi a defesa do Dr. Cleverson Contó no dia de hoje. Tudo indica que o referido advogado é vítima de uma articulação para extorquir recursos financeiros e driblar decisões judiciais que proíbem ex-relacionamentos de fazerem qualquer menção ao nome dele”, diz trecho da nota.

Mesmo depois de várias denúncias e, com os números de vítimas aumentando, a defesa de Cleverson, o advogado Eduardo Mahon apontou que as denunciantes estariam se articulando para tirar dinheiro do seu cliente. No entanto, as imagens provam ao contrário

A vítima Laryssa Moraes – que aparece no vídeo que o site MidiaNews teve acesso -, conta que eles começaram a namorar em 2016, e o relacionamento durou apenas nove meses.

De acordo com Laryssa, o chute no elevador ocorreu após ele tentar olhar o celular dela. As imagens mostram que antes de entrar no elevador ela estava caída no chão, com dificuldades para se levantar.

“Ele me deu um soco no peito tão forte que eu poderia ter morrido. Eu fui parar na porta da lixeira de incêndio e cai no chão. Eu tentei ir embora e ele continuou me agredindo dentro do elevador com xingamentos e um chute”, afirmou.

Segundo a médica, a violência começou a ser praticada de maneira sutil, depois que ele tentou acessar conversas pessoais em seu celular. A justificativa era de que, em um relacionamento, não deve haver nenhum segredo. Ela contou, em seu perfil no Instagram, que Cleverson chegou a tentar estuprá-la com um pen-drive.

Após decisão de ser defendido pelo jurista Eduardo Mahon, Contó anunciou a realização de uma coletiva de imprensa para esta quarta-feira(09), quando promete explicar o que realmente teria ocorrido. Como contraponto, à promessa de Cleverson Campos, as vítimas farão um protesto em frente ao Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do bairro Planalto, às 15h.

O caso

Um grupo de mulheres se reuniu na semana passada, na capital, para denunciar uma série de agressões que teriam sido cometidas pelo advogado Cleverson Campos Contó. Elas relataram abusos físicos, psicológicos, sexuais e patrimoniais. Uma das denúncias – uma representação criminal – foi feita na Vara Especializada da Violência Doméstica do Ministério Público Estadual (MPE).

Os relatos apontam que, rotineiramente, em relações distintas, o advogado teria o hábito de agredir suas companheiras. Socos, pontapés, empurrões, puxões de cabelos, relações sexuais forçadas, xingamentos e tapas eram constantes na vida das mulheres que se relacionaram com o advogado.

A presidente da Comissão, Cláudia Aquino, lamentou ainda que as vítimas estejam sendo desacreditadas em suas denúncias. “Tratam-se de notícias graves e que devem ser devidamente apuradas, com a garantia do contraditório e ampla defesa, com procedimentos adequados, investigação legal e punição no rigor da lei, se for o caso”, disse.

Leia a nota na íntegra

A Comissão dos Direitos da Mulher, do Instituto dos Advogados Mato-grossenses (IAMAT), diante das notícias veiculadas na imprensa, envolvendo diversas mulheres e um advogado, vem a público reafirmar o seu repúdio a qualquer forma de violência contra as mulheres e indignação frente às frequentes práticas de agressões. Não podemos compactuar com ações  que demonstram desrespeito quanto ao gênero, sobretudo com a constante repetição de atos violentos, sejam físicos, psicológicos, patrimoniais, morais e sexuais, além da impunidade.  

Lamentamos que, ainda nos dias de hoje, mulheres sejam desacreditadas em suas denúncias, expostas e diminuídas. Tratam-se de notícias graves e que devem ser devidamente apuradas, com a garantia do contraditório e ampla defesa, com procedimentos adequados, investigação legal e punição no rigor da lei, se for o caso.  

A Comissão dos Direitos da Mulher/IAMAT reafirma sua preocupação com as mulheres vítimas de agressão. Uma sociedade mais justa envolve  o fim da cultura de violência contra as mulheres.  

Cláudia Aquino de Oliveira Presidente da Comissão dos Direitos da Mulher do IAMAT.

Veja a agressão (que acontece no 1:09 da gravação):

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